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A matriz de competências é uma ferramenta que permite identificar quais conhecimentos, habilidades e comportamentos uma empresa já possui e quais precisa desenvolver para alcançar seus objetivos estratégicos. Ao comparar as competências exigidas pelo negócio com o nível atual das equipes, RH e lideranças conseguem priorizar treinamentos, orientar contratações, apoiar decisões de mobilidade interna e direcionar investimentos para as lacunas que realmente afetam a performance.

Mais do que preencher uma planilha com níveis de proficiência, construir uma matriz eficiente exige compreender a estratégia da organização, os desafios de cada área, as mudanças do mercado e as capacidades necessárias para sustentar o crescimento. Ao longo deste artigo, você entenderá como estruturar esse processo, transformar o diagnóstico em capacitação de equipes e acompanhar os impactos sobre produtividade, retenção de talentos, comunicação internacional e resultados de negócio.

O que é uma matriz de competências?

Uma matriz de competências é uma representação organizada das capacidades necessárias para que profissionais, equipes e áreas executem suas responsabilidades com qualidade. Normalmente, ela relaciona pessoas ou cargos às competências consideradas relevantes, indicando o nível esperado e o nível atualmente demonstrado.

Essas competências podem incluir:

  • Conhecimentos técnicos relacionados à função;
  • Habilidades comportamentais;
  • Capacidade de liderança;
  • Domínio de ferramentas e processos;
  • Comunicação e colaboração;
  • Gestão de projetos;
  • Conhecimento de idiomas;
  • Visão de negócio;
  • Capacidade analítica;
  • Adaptação a mudanças;
  • Competências digitais;
  • Conhecimento regulatório.

Em um contexto corporativo, a matriz funciona como um instrumento de gestão. Ela mostra onde existem capacidades consolidadas, onde há dependência de poucos profissionais e quais lacunas podem comprometer metas, projetos ou planos de expansão.

Sua utilidade aumenta quando os dados deixam de ser tratados apenas como informações de RH e passam a apoiar decisões de negócio. Uma lacuna de comunicação internacional, por exemplo, pode afetar negociações, reuniões, atendimento a clientes estrangeiros, integração entre unidades e velocidade de entrada em novos mercados.

Por que as empresas precisam mapear suas competências?

Empresas frequentemente investem em treinamento corporativo sem conhecer com precisão o problema que pretendem resolver. Um curso é contratado, disponibilizado aos colaboradores e avaliado principalmente por indicadores de participação ou satisfação.

Embora esses indicadores sejam úteis, eles não demonstram necessariamente que a organização desenvolveu a capacidade de que precisava.

O mapeamento de competências reduz esse risco porque conecta o desenvolvimento profissional a uma necessidade concreta. Antes de selecionar conteúdos ou fornecedores, a empresa identifica:

  1. Quais competências são importantes para a estratégia;
  2. Quais áreas precisam delas;
  3. Qual nível é necessário em cada função;
  4. Qual é o nível atual das pessoas;
  5. Qual distância existe entre o cenário atual e o desejado;
  6. Quais lacunas devem ser tratadas primeiro.

Esse raciocínio permite que a educação corporativa seja direcionada por prioridades, e não apenas por demandas pontuais ou percepções individuais.

A empresa também passa a compreender melhor sua capacidade de executar a estratégia. Um plano de internacionalização pode parecer viável financeiramente, mas enfrentar limitações caso as equipes comerciais, jurídicas, técnicas e de atendimento não consigam se comunicar adequadamente com outros mercados.

Como a matriz de competências melhora a tomada de decisão empresarial?

A matriz fornece uma visão comparável das capacidades organizacionais. Com ela, lideranças deixam de depender exclusivamente de opiniões subjetivas para decidir quem desenvolver, contratar, promover ou movimentar internamente.

Quando bem estruturado, o instrumento ajuda a responder perguntas como:

  • A empresa possui as competências necessárias para executar o planejamento?
  • Quais equipes apresentam maior distância entre o nível atual e o esperado?
  • Quais conhecimentos estão concentrados em poucas pessoas?
  • Que habilidades devem orientar os próximos programas de treinamento?
  • É mais adequado desenvolver talentos internos ou contratar profissionais?
  • Quais competências serão necessárias nos próximos anos?
  • Que lacunas podem atrasar uma expansão ou transformação interna?

Essa visibilidade fortalece o RH estratégico. Em vez de atuar somente na administração de programas, a área passa a fornecer informações sobre riscos humanos, capacidades futuras e prontidão organizacional.

Esse movimento está alinhado ao conceito de skill mapping aplicado à gestão de talentos, que amplia a análise tradicional de desempenho e apoia decisões sobre sucessão, mobilidade interna, liderança, upskilling e reskilling.

Qual é a diferença entre competência, habilidade e conhecimento?

Para construir um diagnóstico confiável, a empresa precisa diferenciar três elementos próximos, mas não idênticos.

Conhecimento

Conhecimento é aquilo que a pessoa sabe. Pode envolver normas, conceitos, processos, metodologias, características de produtos ou informações sobre um mercado.

Um profissional pode conhecer profundamente uma metodologia de vendas, por exemplo, sem necessariamente conseguir aplicá-la com consistência em uma negociação real.

Habilidade

Habilidade é a capacidade de aplicar um conhecimento em determinada situação. Negociar, apresentar dados, escrever relatórios, conduzir reuniões e analisar indicadores são exemplos de habilidades.

Seu desenvolvimento depende de prática, orientação, repetição e feedback.

Competência

Competência é uma combinação de conhecimento, habilidade e comportamento aplicada a um contexto de trabalho. Ela não representa apenas saber algo, mas conseguir utilizar esse repertório para produzir resultados.

Uma competência de liderança, por exemplo, pode envolver conhecimento sobre gestão, habilidade para orientar pessoas, capacidade de tomar decisões e comportamento coerente com a cultura organizacional.

Essa distinção evita matrizes excessivamente genéricas. Termos como “boa comunicação” ou “proatividade” têm pouco valor quando não são traduzidos em comportamentos observáveis e resultados esperados.

Como criar uma matriz de competências alinhada à estratégia?

A construção deve começar pelo negócio, e não pela lista de cursos disponíveis. A seguir, veja as principais etapas.

1. Analise os objetivos estratégicos

O primeiro passo é compreender o que a empresa pretende realizar nos próximos ciclos.

Entre os objetivos que podem influenciar o mapeamento estão:

  • Entrada em novos mercados;
  • Lançamento de produtos;
  • Digitalização de processos;
  • Redução de custos;
  • Melhoria da experiência do cliente;
  • Desenvolvimento de novas lideranças;
  • Integração após fusões ou aquisições;
  • Aumento da produtividade;
  • Fortalecimento da inovação;
  • Expansão internacional.

Cada objetivo exige capacidades específicas. Uma organização que deseja ampliar sua atuação global pode precisar desenvolver comunicação internacional, negociação intercultural, gestão de equipes distribuídas e domínio de idiomas.

Já uma empresa em transformação digital pode demandar competências analíticas, automação, gestão de dados e adaptação a novas tecnologias.

2. Defina os cargos e públicos prioritários

Não é necessário mapear toda a organização ao mesmo tempo. Em estruturas grandes, iniciar por áreas críticas costuma gerar resultados mais rápidos e aprendizados para etapas posteriores.

A priorização pode considerar:

  • Áreas diretamente ligadas à receita;
  • Equipes com baixo desempenho;
  • Funções estratégicas;
  • Cargos com escassez de profissionais;
  • Áreas envolvidas em expansão;
  • Posições de liderança;
  • Equipes com alta rotatividade;
  • Processos que apresentam retrabalho ou atrasos.

Um projeto-piloto permite testar critérios, escalas de avaliação e formas de acompanhamento antes da ampliação.

3. Identifique as competências necessárias

As competências podem ser levantadas por meio da análise de descrições de cargos, entrevistas com gestores, planejamento estratégico, processos críticos, indicadores operacionais e tendências do setor.

Também é importante ouvir profissionais que executam as atividades diariamente. Gestores conhecem as metas da área, enquanto os colaboradores conseguem apontar dificuldades práticas que nem sempre aparecem nos documentos formais.

Cada competência deve ter uma definição objetiva. Em vez de registrar apenas “comunicação”, a empresa pode utilizar descrições como:

  • Apresenta informações com clareza para diferentes públicos;
  • Conduz reuniões com foco em decisões;
  • Adapta a comunicação ao contexto cultural;
  • Registra informações importantes de maneira compreensível;
  • Negocia prioridades com áreas internas;
  • Comunica riscos antes que afetem o projeto.

Quanto mais observável for a descrição, mais confiável será a avaliação.

4. Estabeleça níveis de proficiência

A escala precisa ser simples o suficiente para ser utilizada e detalhada o bastante para diferenciar os níveis.

Um modelo possível é:

  1. Inicial: conhece conceitos básicos e precisa de acompanhamento frequente;
  2. Básico: executa atividades simples com alguma orientação;
  3. Intermediário: trabalha com autonomia em situações recorrentes;
  4. Avançado: resolve situações complexas e orienta outras pessoas;
  5. Referência: define padrões, desenvolve soluções e dissemina conhecimento.

Os critérios devem ser adaptados à realidade da empresa. Uma escala numérica sem descrição clara aumenta a subjetividade e dificulta comparações.

5. Avalie o nível atual

A avaliação pode combinar diferentes fontes:

  • Autoavaliação;
  • Avaliação do gestor;
  • Testes técnicos;
  • Simulações práticas;
  • Resultados de projetos;
  • Indicadores de desempenho;
  • Feedback de pares;
  • Avaliações comportamentais;
  • Entrevistas estruturadas;
  • Certificações.

A autoavaliação isolada não deve ser tratada como diagnóstico definitivo. Algumas pessoas superestimam suas habilidades, enquanto outras apresentam resultados elevados, mas avaliam seu próprio desempenho com excessivo rigor.

A combinação de evidências reduz distorções.

6. Calcule as lacunas

A lacuna corresponde à diferença entre o nível exigido e o nível atual.

Se determinada função exige nível quatro em negociação internacional e a equipe apresenta média dois, existe uma distância relevante. Entretanto, o número sozinho não determina a prioridade.

A empresa também deve considerar:

  • Impacto da competência sobre a estratégia;
  • Urgência da necessidade;
  • Quantidade de profissionais afetados;
  • Risco operacional;
  • Custo da lacuna;
  • Dificuldade de contratação externa;
  • Tempo necessário para desenvolver a capacidade.

Uma lacuna pequena em uma competência crítica pode ser mais urgente do que uma lacuna maior em uma habilidade de baixo impacto.

Como priorizar as habilidades que precisam ser desenvolvidas?

Nem toda lacuna deve gerar um treinamento imediato. A priorização precisa equilibrar importância estratégica, urgência e viabilidade.

Um modelo prático pode classificar as competências em quatro grupos:

Competências críticas e urgentes

São indispensáveis para projetos em andamento, metas comerciais, conformidade, segurança ou continuidade do negócio. Devem receber intervenção prioritária.

Competências críticas para o futuro

Ainda não comprometem a operação atual, mas serão importantes para expansão, sucessão, inovação ou mudanças tecnológicas. Podem ser trabalhadas por meio de programas de médio prazo.

Competências de suporte

Ajudam a melhorar eficiência e colaboração, mas não representam risco imediato. Podem integrar trilhas mais amplas de aprendizagem.

Competências de baixa prioridade

Possuem impacto reduzido ou são relevantes para um grupo muito restrito. Antes de investir, a empresa deve avaliar se há outras formas de resolver a necessidade.

Esse processo impede que o orçamento de T&D seja pulverizado entre muitas iniciativas sem efeito perceptível.

Como transformar as lacunas em um plano de capacitação?

Depois de identificar prioridades, a empresa precisa escolher a intervenção adequada. Treinamento é uma alternativa, mas não é a única.

Uma lacuna pode ser tratada por meio de:

  • Cursos estruturados;
  • Mentorias;
  • Projetos práticos;
  • Rotação entre áreas;
  • Comunidades internas;
  • Acompanhamento da liderança;
  • Conteúdos sob demanda;
  • Simulações;
  • Mudanças de processo;
  • Contratação externa;
  • Mobilidade interna;
  • Formação de multiplicadores;
  • Programas de idiomas.

O formato deve considerar a natureza da competência. Conhecimentos básicos podem ser desenvolvidos por conteúdos assíncronos, enquanto habilidades de negociação, liderança ou comunicação exigem prática, aplicação e feedback.

A consistência também é importante. Programas pontuais tendem a perder força quando não há oportunidade de aplicação. Por isso, a empresa deve estimular uma cultura de aprendizagem contínua, na qual adquirir, utilizar e compartilhar conhecimento faça parte da rotina de trabalho.

Como usar upskilling e reskilling no planejamento?

Upskilling significa ampliar ou aprofundar competências para que o profissional tenha melhor desempenho em sua função atual ou assuma responsabilidades mais complexas.

Reskilling envolve preparar a pessoa para uma função diferente, geralmente em resposta a mudanças tecnológicas, reorganizações ou novas necessidades do negócio.

A matriz ajuda a determinar qual estratégia faz mais sentido.

Quando uma equipe já possui a base necessária, mas precisa elevar seu nível, o upskilling tende a ser adequado. Quando uma função está sendo transformada ou substituída, o reskilling pode preparar os profissionais para novas atividades.

A adoção de uma estratégia de upskilling e reskilling nas empresas reduz lacunas, fortalece a mobilidade interna e transforma o desenvolvimento profissional em capacidade organizacional.

Além de apoiar a produtividade, essa abordagem pode contribuir para a retenção de talentos. Profissionais que percebem possibilidades reais de desenvolvimento e crescimento tendem a compreender melhor seu papel na organização e as oportunidades disponíveis.

Como a matriz contribui para a produtividade?

A produtividade não depende apenas de esforço ou quantidade de horas trabalhadas. Ela também é influenciada pela capacidade das pessoas de executar tarefas com autonomia, qualidade e velocidade.

Lacunas de competência podem gerar:

  • Retrabalho;
  • Erros recorrentes;
  • Dependência de poucos especialistas;
  • Decisões lentas;
  • Reuniões improdutivas;
  • Dificuldades de colaboração;
  • Atrasos em projetos;
  • Baixa utilização de tecnologias;
  • Comunicação inconsistente;
  • Perda de oportunidades comerciais.

Ao identificar essas limitações, a empresa consegue direcionar esforços para as causas reais do desempenho insuficiente.

Se uma equipe internacional apresenta atrasos porque as decisões precisam ser revisadas por poucos profissionais fluentes, por exemplo, o problema não será resolvido apenas com ajustes no cronograma. É necessário ampliar a capacidade de comunicação do grupo.

Como identificar competências de idiomas para expansão internacional?

O domínio de idiomas não deve ser avaliado apenas de maneira geral. Em empresas, é necessário relacionar a competência linguística às situações profissionais que a pessoa precisa enfrentar.

Uma organização pode mapear capacidades como:

  • Participação em reuniões internacionais;
  • Apresentação de propostas;
  • Negociação com clientes e fornecedores;
  • Leitura de documentos técnicos;
  • Produção de relatórios;
  • Atendimento a clientes estrangeiros;
  • Gestão de equipes multiculturais;
  • Comunicação entre unidades globais;
  • Participação em eventos internacionais;
  • Condução de processos seletivos globais.

O nível necessário varia conforme a função. Um profissional que consulta documentos pode ter uma necessidade diferente de quem conduz negociações ou representa a empresa em reuniões estratégicas.

Por isso, programas corporativos de idiomas devem começar por um diagnóstico. Soluções voltadas ao desenvolvimento linguístico de equipes permitem entender o nível do time e acompanhar a evolução do investimento com dados.

Quando a necessidade envolve diferentes mercados ou grandes grupos de profissionais, um treinamento corporativo em idiomas pode reduzir a dependência de poucos colaboradores bilíngues e preparar a organização para se comunicar com mais consistência em operações globais.

Como calcular o ROI do desenvolvimento de competências?

A mensuração precisa começar antes do treinamento. Sem um indicador inicial, a empresa terá dificuldade para demonstrar o que mudou.

O cálculo pode relacionar os custos do programa aos benefícios financeiros ou operacionais atribuídos à iniciativa.

Entre os custos estão:

  • Contratação da solução;
  • Horas dedicadas ao aprendizado;
  • Tecnologia;
  • Materiais;
  • Gestão do programa;
  • Avaliações;
  • Suporte interno.

Os benefícios podem incluir:

  • Redução de retrabalho;
  • Economia de horas;
  • Aumento de produtividade;
  • Menor dependência de serviços externos;
  • Diminuição da rotatividade;
  • Redução de erros;
  • Aceleração de projetos;
  • Melhoria da conversão comercial;
  • Novos contratos;
  • Maior mobilidade interna.

O artigo sobre ROI em treinamento de idiomas mostra como benefícios como economia de horas, redução de retrabalho, retenção de profissionais estratégicos e contribuição para novos contratos podem ser incorporados à análise.

Além do retorno financeiro, a empresa deve acompanhar indicadores de evolução da competência e aplicação prática.

Quais indicadores devem ser acompanhados?

Os indicadores precisam refletir diferentes etapas do desenvolvimento.

Indicadores de participação

  • Taxa de adesão;
  • Frequência;
  • Conclusão;
  • Utilização da plataforma;
  • Engajamento com conteúdos.

Indicadores de aprendizagem

  • Evolução em testes;
  • Mudança no nível de proficiência;
  • Aprovação em avaliações;
  • Demonstração prática da habilidade.

Indicadores de aplicação

  • Uso da competência no trabalho;
  • Qualidade das entregas;
  • Autonomia;
  • Redução de solicitações de apoio;
  • Participação em projetos mais complexos.

Indicadores de negócio

  • Produtividade;
  • Redução de custos;
  • Tempo de execução;
  • Taxa de erros;
  • Retenção de talentos;
  • Conversão comercial;
  • Satisfação dos clientes;
  • Receita;
  • Cumprimento de metas;
  • Expansão de operações.

A relação entre esses grupos ajuda a evitar conclusões precipitadas. Uma alta taxa de conclusão não significa, por si só, que a competência foi aplicada ou que houve impacto sobre o negócio.

Quais erros comprometem uma matriz de competências?

Alguns problemas reduzem a confiabilidade e a utilidade do processo.

Criar uma matriz genérica

Listas padronizadas podem servir como referência, mas precisam ser adaptadas à estratégia, à cultura e às funções da empresa.

Incluir competências demais

Uma matriz extensa se torna difícil de avaliar e administrar. É mais produtivo começar pelas capacidades que possuem relação clara com os objetivos do negócio.

Usar descrições abstratas

Termos como “inovador”, “comunicativo” ou “estratégico” precisam ser traduzidos em comportamentos observáveis.

Confiar em uma única avaliação

A combinação de testes, resultados, autoavaliação e percepção da liderança gera uma visão mais equilibrada.

Não atualizar o diagnóstico

Competências mudam conforme tecnologias, mercados, processos e prioridades. A matriz deve ser revisada periodicamente.

Não conectar o resultado a decisões

O diagnóstico perde valor quando não influencia treinamentos, sucessão, contratação, mobilidade ou planejamento.

Avaliar pessoas sem transparência

Os profissionais precisam compreender os critérios, a finalidade do processo e a forma como os dados serão utilizados. Caso contrário, a iniciativa pode ser percebida apenas como mecanismo de cobrança.

Quais são os riscos de não mapear as competências?

A ausência de um diagnóstico aumenta a possibilidade de decisões reativas.

A empresa pode contratar treinamentos que não resolvem os principais problemas, descobrir lacunas apenas durante projetos críticos ou depender excessivamente de determinados profissionais.

Outros riscos incluem:

  • Falta de sucessores para posições estratégicas;
  • Perda de conhecimento após desligamentos;
  • Baixa mobilidade interna;
  • Contratações desalinhadas;
  • Dificuldade de expansão;
  • Orçamento de T&D mal direcionado;
  • Redução da competitividade;
  • Baixa adaptação tecnológica;
  • Problemas de comunicação;
  • Desmotivação de talentos;
  • Dificuldade para demonstrar retorno.

Em mercados dinâmicos, a falta de competências pode limitar a execução mesmo quando a estratégia, o orçamento e a demanda comercial estão presentes.

Como integrar a matriz à cultura organizacional?

A matriz não deve funcionar como um documento isolado do RH. Ela precisa estar conectada aos principais processos de gestão de pessoas.

Entre as integrações possíveis estão:

  • Recrutamento e seleção;
  • Onboarding;
  • Avaliação de desempenho;
  • Planos de desenvolvimento;
  • Sucessão;
  • Promoções;
  • Mobilidade interna;
  • Remuneração;
  • Planejamento de carreira;
  • Educação corporativa;
  • Gestão de projetos.

As lideranças possuem papel decisivo nessa integração. São elas que transformam competências abstratas em expectativas de trabalho, criam oportunidades de aplicação e acompanham a evolução das equipes.

Também é importante separar o desenvolvimento de uma lógica exclusivamente corretiva. A matriz não serve apenas para apontar deficiências. Ela também evidencia talentos, conhecimentos disponíveis e possibilidades de movimentação interna.

Perguntas frequentes sobre matriz de competências

Qual é o principal objetivo da matriz de competências?

Seu principal objetivo é comparar as competências necessárias para a estratégia da empresa com aquelas atualmente disponíveis, permitindo identificar lacunas e direcionar decisões de desenvolvimento, contratação e mobilidade.

A matriz pode ser usada em empresas pequenas?

Sim. Empresas menores podem utilizar uma estrutura simplificada, concentrada nos cargos e competências mais críticos. O processo não precisa começar com sistemas complexos.

Com que frequência a matriz deve ser atualizada?

A revisão pode ser anual ou semestral, dependendo da velocidade das mudanças no negócio. Transformações tecnológicas, novos mercados ou reorganizações podem exigir atualizações adicionais.

A matriz substitui a avaliação de desempenho?

Não. A avaliação analisa resultados e comportamentos em determinado período. A matriz identifica capacidades disponíveis e lacunas em relação ao nível necessário. As duas ferramentas podem trabalhar de maneira complementar.

Como evitar avaliações subjetivas?

A empresa deve definir comportamentos observáveis, utilizar mais de uma fonte de evidência, capacitar os avaliadores e estabelecer critérios claros para cada nível.

Toda lacuna precisa ser resolvida com treinamento?

Não. Algumas lacunas podem exigir mudanças de processo, contratação, automação, redistribuição de responsabilidades, mentoria ou mobilidade interna.

Como saber se um programa de capacitação funcionou?

É necessário comparar os indicadores anteriores e posteriores, analisar a evolução da competência, verificar sua aplicação no trabalho e medir efeitos sobre resultados operacionais ou financeiros.

A proficiência em idiomas deve fazer parte da matriz?

Sim, quando a comunicação internacional influencia projetos, negociações, atendimento, gestão de equipes globais ou expansão de negócios. O nível esperado deve ser definido de acordo com as situações reais enfrentadas por cada função.

Conclusão

A matriz de competências ajuda a transformar o desenvolvimento de pessoas em uma decisão empresarial fundamentada. Ela mostra quais capacidades sustentam a estratégia, onde estão as principais lacunas e como priorizar investimentos em treinamento corporativo, educação corporativa, upskilling, reskilling e idiomas.

Para gerar resultados, o processo precisa ir além de uma planilha. A organização deve definir competências observáveis, utilizar evidências confiáveis, envolver lideranças, conectar o diagnóstico aos objetivos de negócio e acompanhar indicadores de aprendizagem, aplicação e performance.

Quando essa estrutura é mantida de forma contínua, o RH ganha melhores condições para antecipar riscos, preparar sucessores, aumentar a mobilidade interna e demonstrar o ROI em treinamento. Ao mesmo tempo, as áreas de negócio desenvolvem equipes mais autônomas, produtivas e preparadas para lidar com mudanças, tecnologias e mercados internacionais.

Identificar as habilidades que a empresa precisa desenvolver não é apenas uma iniciativa de gestão de pessoas. É uma etapa essencial para construir capacidade organizacional, sustentar o crescimento e converter aprendizagem em resultados mensuráveis.

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